Ser uma das melhores empresas para trabalhar virou uma marca que fica impressa na história de todas as companhias reconhecidas publicamente por suas práticas de gestão de pessoas. Um mérito que cabe a poucas corporações e felizardos, principalmente se levarmos em conta as milhares de organizações que existem em nosso País e a quantidade cada vez maior de colaboradores insatisfeitos com as instituições em que trabalham.
Tire a prova você mesmo. Converse com amigos, parentes e vizinhos a fim de perceber quantos estão estressados, desmotivados ou decepcionados com as políticas de suas empresas, posturas de seus líderes ou comportamentos de colegas. Essa é uma situação preocupante, pois dedicamos cada vez mais horas ao trabalho. A pergunta que fica é: aonde isso vai parar? Quando nos daremos conta de que funcionários felizes e satisfeitos são muito mais produtivos e rentáveis?
Felizmente, as melhores empresas estão aí para nos dar uma aula de como gerir pessoas. O grande mérito de reconhecer essas companhias é justamente trazer a público o que, afinal, elas fazem para que possamos, na medida do possível, implantar práticas vencedoras também com nossos profissionais.
Uma das principais instituições que realizam a premiação é o Great Place to Work. Fundado há 12 anos no Brasil, o instituto é responsável pela pesquisa das cem melhores empresas para trabalhar, realizada com metodologia própria que mede o nível de confiança dos funcionários e avalia as práticas de gestão de pessoas. Ao longo desses anos de pesquisa no País, eles notaram que não houve evolução significativa do nível de confiança – o que não é ruim, porque as médias são muito altas.
Já a gestão de recursos humanos tem evoluído bastante, tanto que práticas que eram excepcionais há dez anos, hoje são muito comuns. Sem contar que existe uma evolução importante, pois o tema ambiente de trabalho não está na moda, mas tem se tornado parte da estratégia das empresas.
Outra conclusão interessante é que as organizações têm práticas muito específicas para as necessidades de seus profissionais, independentemente do que as outras fazem. Isso mostra que a preocupação em cuidar das pessoas é legítima, e não ditada pela necessidade de acompanhar o mercado. Veja o caso dos benefícios, que é uma forma de demonstrar respeito ao colaborador. As melhores empresas buscam oferecer benefícios exclusivos e personalizados, e não simplesmente o que o mercado ou a concorrência oferece. Eles tendem a ser menos paternalistas e mais voltados às reais necessidades dos funcionários.
Você deve estar se perguntando qual é o impacto das melhores práticas sobre o desempenho das instituições. Vários estudos já demonstraram que, em um ambiente de confiança, as pessoas gastam menos tempo se defendendo dos outros, tentando sobreviver e em jogos políticos. Assim, têm mais tempo para realizar o que é realmente importante e, além disso, o desgaste psicológico é menor, o que resulta em um ótimo desempenho intelectual.
Vamos entender como funciona a metodologia do Great Place to Work, uma das principais instituições que realizam a premiação, para que você, possa analisar se as dimensões e áreas avaliadas também estão presentes em sua empresa.
A primeira dimensão avaliada é o nível de confiança, que se divide em cinco áreas:
- Credibilidade – A forma como o funcionário vê seu líder, se ele é aberto e disponível, competente e ético, etc.
- Respeito – Como o profissional se sente tratado por seu líder, como um ser humano ou um simples recurso.
- Imparcialidade – Como os colaboradores veem as regras do jogo, por exemplo: se entendem as diferenças salariais e as promoções.
- Orgulho – Apresenta-se como orgulho do trabalho que cada um faz, da equipe e empresa.
- Camaradagem – A relação entre os funcionários, independentemente de hierarquia, o sentimento de colaboração e solidariedade.
Verificadas as áreas que compõem o nível de confiança, vamos avaliar a segunda dimensão, que se refere às práticas de gestão e divide-se em nove áreas:
- Contratar e receber – As melhores empresas se dedicam minuciosamente aos processos de seleção de seus novos profissionais. Procuram indivíduos que, além das qualidades técnicas necessárias, possuam valores compatíveis com os da companhia e tenham atitudes adequadas à cultura da organização.
- Inspirar – A forma como disseminam nas pessoas o sentimento de que são especiais e trabalham para uma instituição especial e única.
- Falar – Falar a verdade, comunicar-se sempre e com muita abertura e sinceridade.
- Ouvir – O processo de estar sempre atento ao que os colaboradores têm a dizer, sejam críticas ou sugestões.
- Agradecer – O reconhecimento, seja ele material ou simbólico.
- Desenvolver – O cuidado em desenvolver as pessoas, tanto profissional quanto pessoalmente.
- Cuidar – O cuidar de cada funcionário como um indivíduo que possui sentimentos, problemas, alegrias e personalidade própria.
- Celebrar – As melhores celebram muito todo tipo de conquista ou evento: novos clientes, fim de projetos, aniversários e muito mais.
- Compartilhar – A demonstração final de que o lucro deve ser compartilhado não somente entre acionistas, mas entre todos aqueles que ajudaram a criá-lo.
Essas são políticas que você pode colocar em prática, não com o objetivo de fazer sua companhia ser reconhecida publicamente, mas tendo como metas principais deixar ainda mais felizes as pessoas que trabalham com você, aumentar a satisfação e o orgulho de seus colaboradores por fazerem parte de sua organização e maximizar os resultados de seu negócio. Essa última, no entanto, é mera consequência das primeiras.
Agora é com você.
Cleverson Uliana


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