Acabei de fazer um piso e ele está esfarelando, o que aconteceu?
A desagregação superficial normalmente ocorre em garagens de edifícios, devido à elevada abrasão imposta pelo tráfego de automóveis; mas também acontece em calçadas, pisos industriais, quadras esportivas e contra-pisos onde se nota que o concreto desprende poeira da superfície.
Muitas vezes esta patologia está relacionada aos materiais componentes e ao processo construtivo, o que reflete o desconhecimento às normas pelos profissionais que lidam com o assunto e a falta de cuidados na elaboração e aplicação do concreto.
O fato do piso "esfarelar" indica que houve fraca ligação do aglomerante, neste caso o cimento, com os demais materiais utilizados. Isto provoca a desagregação do concreto, os agregados ficam soltos ou são fáceis de remover.
As principais causas são exsudação no concreto, onde parte da água utilizada na mistura migra para a superfície - implicando nesta região elevado fator água/cimento e, conseqüentemente, menor resistência à abrasão -, baixo teor de cimento, areia contaminada com matéria orgânica que inibe a hidratação do cimento, excesso de água de amassamento, falta de cura, aplicação do concreto vencido, excesso de desempeno, aplicação do concreto sobre base absorvente ou ressecada, água de amassamento contaminada inibindo as reações do cimento e excesso de vibração.
Será que o atendimento às normas pode evitar este problema?
Na maioria dos casos sim. O cumprimento às normas é obrigatório, não só para atender ao Código de Defesa do Consumidor (vide artigo Nº 39 do Código de Defesa do Consumidor), mas também com a finalidade de orientar os profissionais para as melhores práticas e, assim, evitar a ocorrência destes problemas.
Abaixo, segue a relação de algumas causas e de que forma as normas, se respeitadas, podem evitar as patologias.
CAUSAS MAIS FREQÜENTES CONSIDERAÇÕES NORMATIVAS
Exsudação do concreto
NBR 12655:2006 - o profissional responsável pela execução deve escolher o tipo de concreto, consistência, dimensão dos agregados e demais propriedades de acordo com o projeto e com as condições de aplicação. Deve também verificar e atender todos os requisitos da norma. O traço irá determinar a qualidade de acabamento e poderá minimizar a ocorrência de outras patologias, tais como a exsudação da água de amassamento.
Baixo teor de cimento
NBR 12655:2006 - Se dosado empiricamente deve atender a um consumo mínimo de 300kg por metro cúbico de concreto para a classe C10.
O cimento utilizado deve atender às normas respectivas e possuir o selo de qualidade da ABCP - Associação Brasileira de Cimento Portland.
Areia contaminada com matéria orgânica
A norma NBR 7211:2005 determina os limites máximos aceitáveis de substancias nocivas, como por exemplo, 3% para torrões de argila, 3% de materiais finos e 10% de impurezas orgânicas para agregados miúdos (areia).
Excesso de água de amassamento
De acordo com a norma NBR 6118:2003, a relação água/cimento em massa deve ser de, no máximo, 0,65, o que equivale dizer que para um saco de cimento a máxima quantidade de água deve ser de 32 litros, levando-se em conta a melhor condição de agressividade na qual o concreto ficará exposto.
Falta de cura
A NBR 14931:2003 alerta para os cuidados com a retirada de fôrmas e cura do concreto enquanto não atingir o endurecimento satisfatório - para evitar a perda de água de exsudação e assegurar uma superfície com resistência adequada - e aponta que elementos estruturais de superfície devem ser curados até que atinjam resistência característica à compressão de no mínimo 15 MPa.
Aplicação de concreto vencido
A NBR 7212:1984 fixa que o tempo para aplicação do concreto dosado em central deve ser de no máximo 150 minutos ou 2h30, salvo condições especiais, tais como uso de aditivos retardadores, refrigeração e outras em função das quais podem ser alterados os prazos de transporte e descarga do concreto.
Água de amassamento contaminada
A NM 137:97 especifica os critérios mínimos de qualidade da água de amassamento do concreto e argamassas – entre estes critérios, o pH deve estar compreendido entre 5,5 e 9 e teor de resíduos sólidos de no máximo 5000 * 10-6 g/cm3
Então o que pode ser feito para evitar o problema de esfarelamento do piso?
A resposta é simples: respeito às Normas Brasileiras e atenção ainda para alguns cuidados construtivos em torno dos procedimentos adotados, tais como:
* Preparação da superfície, que deve estar limpa e regularizada, não pode estar muito quente, de preferência levemente umedecida e deve ser uma base sólida e firme;
* A aplicação conjunta destes conceitos deverá evitar o aparecimento desta patologia que acontece com freqüência em edificações antigas e até mesmo novas;
* Importante: norma é sinônimo de qualidade e economia, enquanto a falta de qualidade significa desperdício e custo extra.


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