sábado, 17 de março de 2007

Durabilidade das estruturas

Para análise da Durabilidade tomar-se-á como referência as recomendações da norma brasileira ABNT, "Projeto de Estruturas de Concreto. NBR 6118:2003" aprovada em 2003 e obrigatória a partir de 2004.

Como toda análise de durabilidade, deve-se considerar inicialmente a agressividade ambiental de acordo com as prováveis condições de exposição, na sequência prever os possíveis mecanismos de deterioração precoce e natural para essas condições de exposição, e, finalmente, proceder à análise de durabilidade e vida útil com base a modelos de previsão.

Agressividade Ambiental

Segundo a NBR 6118:2003, a agressividade do meio ambiente está relacionada às ações físicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, independente das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica, da retração hidráulica ou de secagem, da fluência e relaxação, da fadiga e outras já previstas no dimensionamento das estruturas de concreto.

A classificação da agressividade dos ambientes às estruturas de concreto armado e protendido pode ser avaliada, simplificadamente, segundo as condições de exposição, da estrutura ou de suas partes, apresentadas na Tabela 7.1, estando as classes de agressividade e o correspondente risco de deterioração indicados na Tabela 7.2. Deve-se salientar que é o micro-clima o fator preponderante que classifica o risco de deterioração das estruturas, a partir do macro-clima (ambiente geográfico).

Tabela 7.1 Classificação da agressividade ambiental em função das condições de exposição das estruturas de concreto, conforme as classes apresentadas na Tabela 7.2.

Macro-clima

Micro-clima

Ambientes internos

Ambientes externos

Seco1

UR £ 65%

Úmido ou ciclos2 de molhagem e secagem

Seco3

UR £ 65%

Úmido ou ciclos4 de molhagem e secagem

Rural

I

I

I

II

Urbana

I

II

I

II

Marinha

II

III

-----

III

Industrial

II

III

II

III

especial5

II

III ou IV

III

III ou IV

respingos de maré

-----

-----

-----

IV

submersa ³ 3m

-----

-----

-----

I

Solo

-----

-----

não agressivo I

úmido e agressivo

II, III ou IV

1) Salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreas de serviço de aptos. residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com concreto revestido com argamassa e pintura.

2) Vestiários, banheiros, cozinhas, lavanderias industriais e garagens.

3) Obras em regiões secas, como o nordeste do país, partes protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos.

4) Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, branqueamento em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes, indústrias químicas.

5) Macro clima especial significa ambiente com agressividade bem conhecida, que permitirá definir a classe de agressividade III ou IV nos ambientes úmidos. Se o ambiente for seco, a classe de agressividade será sempre II nos ambientes internos e III nos externos.

Tabela 7.2. Classes de agressividade ambiental

Classe de agressividade ambiental

Agressividade

Risco de deterioração da estrutura

I

fraca

insignificante

II

média

pequeno

III

forte

grande

IV

muito forte

elevado

Portanto, pela norma NBR 6118:2003, pode-se assim classificar a agressividade potencial dos micro-climas passíveis de exposição no caso de construções habitacionais, no Brasil:

v Classe de agressividade I: construções situadas em atmosferas rurais e urbanas não industriais, secas com UR < 70% e todos os ambientes internos;

v Classe de agressividade II: construções situadas em atmosferas urbana industrial e com ciclos de molhagem e secagem e todos os ambientes internos;

v Classe de agressividade III: construções situadas em atmosferas marinha e industrial e sujeitas a ciclos de molhagem e secagem. Os ambientes internos, neste caso, podem ser considerados classe II.

A classe de agressividade IV não se aplica a edificações habitacionais, somente a obras de portos, pontes, saneamento, tanques industriais, galerias de esgotos, etc.

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