Como toda análise de durabilidade, deve-se considerar inicialmente a agressividade ambiental de acordo com as prováveis condições de exposição, na sequência prever os possíveis mecanismos de deterioração precoce e natural para essas condições de exposição, e, finalmente, proceder à análise de durabilidade e vida útil com base a modelos de previsão.
Agressividade Ambiental
Segundo a NBR 6118:2003, a agressividade do meio ambiente está relacionada às ações físicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto, independente das ações mecânicas, das variações volumétricas de origem térmica, da retração hidráulica ou de secagem, da fluência e relaxação, da fadiga e outras já previstas no dimensionamento das estruturas de concreto.
A classificação da agressividade dos ambientes às estruturas de concreto armado e protendido pode ser avaliada, simplificadamente, segundo as condições de exposição, da estrutura ou de suas partes, apresentadas na Tabela 7.1, estando as classes de agressividade e o correspondente risco de deterioração indicados na Tabela 7.2. Deve-se salientar que é o micro-clima o fator preponderante que classifica o risco de deterioração das estruturas, a partir do macro-clima (ambiente geográfico).
Tabela 7.1 Classificação da agressividade ambiental em função das condições de exposição das estruturas de concreto, conforme as classes apresentadas na Tabela 7.2.
Macro-clima | Micro-clima | |||
Ambientes internos | Ambientes externos | |||
Seco1 UR £ 65% | Úmido ou ciclos2 de molhagem e secagem | Seco3 UR £ 65% | Úmido ou ciclos4 de molhagem e secagem | |
Rural | I | I | I | II |
Urbana | I | II | I | II |
Marinha | II | III | ----- | III |
Industrial | II | III | II | III |
especial5 | II | III ou IV | III | III ou IV |
respingos de maré | ----- | ----- | ----- | IV |
submersa ³ 3m | ----- | ----- | ----- | I |
Solo | ----- | ----- | não agressivo I | úmido e agressivo II, III ou IV |
1) Salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e áreas de serviço de aptos. residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com concreto revestido com argamassa e pintura. 2) Vestiários, banheiros, cozinhas, lavanderias industriais e garagens. 3) Obras em regiões secas, como o nordeste do país, partes protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos. 4) Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, branqueamento em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes, indústrias químicas. 5) Macro clima especial significa ambiente com agressividade bem conhecida, que permitirá definir a classe de agressividade III ou IV nos ambientes úmidos. Se o ambiente for seco, a classe de agressividade será sempre II nos ambientes internos e III nos externos. | ||||
Tabela 7.2. Classes de agressividade ambiental
Classe de agressividade ambiental | Agressividade | Risco de deterioração da estrutura |
I | fraca | insignificante |
II | média | pequeno |
III | forte | grande |
IV | muito forte | elevado |
Portanto, pela norma NBR 6118:2003, pode-se assim classificar a agressividade potencial dos micro-climas passíveis de exposição no caso de construções habitacionais, no Brasil:
v Classe de agressividade I: construções situadas em atmosferas rurais e urbanas não industriais, secas com UR < 70% e todos os ambientes internos;
v Classe de agressividade II: construções situadas em atmosferas urbana industrial e com ciclos de molhagem e secagem e todos os ambientes internos;
v Classe de agressividade III: construções situadas em atmosferas marinha e industrial e sujeitas a ciclos de molhagem e secagem. Os ambientes internos, neste caso, podem ser considerados classe II.


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